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“A medicina dentária em Portugal tem um dos melhores níveis encontrados na Europa”

médica dentista Sandra Gavinha
Entrevista a Sandra Gavinha, Médica dentista, Figura do Ano na área da Prostodontia nos Prémios Saúde Oral 2015

Em criança qual a profissão que queria seguir?

O direito sempre me fascinou quando criança, talvez pelo meu sentido de justiça que desde cedo se revelou, mas o que se revelou não ser verdadeira é a associação da justiça e do direito na forma como eu a entendia!

O que a levou a optar pela medicina dentária?

A medicina dentária surge por influências familiares. Não vou dizer que não foi de imediato uma paixão, ao tomar contato direto com a profissão, mas a “proximidade” foi o meu despertar para essa paixão. O gosto pelo ensino na medicina dentária foi algo que cresceu durante a minha licenciatura e que se inicia, na oportunidade que a Faculdade onde me formei, me proporcionou. Mais tarde surge um novo projecto que abracei e ao qual me dediquei desde sempre e dedico até ao dias de hoje: o ensino da medicina dentária na Universidade Fernando Pessoa.

A nível profissional, qual o episódio que mais a marcou?

Episódios todos nós profissionais vivemos, mas o que mais me marcou ao longo do exercício da minha profissão não foi um episódio, mas várias situações que vivi no contato com as populações idosas institucionalizadas. Uma realidade que me custou a aceitar, nomeadamente porque uma instituição tem todas as condições para minimizar uma parte das necessidades que os idosos apresentam a nível de saúde oral, e na realidade não o faz. Todos os profissionais desta área têm plena consciência das inúmeras necessidades de saúde oral que as populações idosas apresentam. Mas a realidade, no contexto de uma instituição, é bem diferente. Nos estudos que desenvolvi foram muitos os episódios marcantes pelo aspeto mais negativo. Uma realidade que se vai mantendo e, o que mais entristece qualquer profissional desta área, é que para estas populações nada tem sido desenvolvido relativamente ao acesso aos cuidados de saúde oral. Lamentável que não haja um programa de cuidados primários direcionado às necessidades de todos os idosos e não só ao grupo dos idosos menos numeroso e que, na maior parte das situações, nem pode usufruir do programa existente, por inúmeras condicionantes.

Tem algum lema de vida?

“Só é digno da vida aquele que luta todos os dias por ela”.

A nível profissional, do que mais se orgulha e do que mais se arrepende?

Não me arrependo de nada. Orgulho tenho em tudo o que faço, porque na realidade tento respeitar os valores éticos da lealdade, fidelidade, carácter, honestidade.

Não sai de casa sem…

Pensar se devo realmente sair.

Qual o seu maior vício?

O trabalho, apesar de não me considerar uma trabalhadora compulsiva.

Qual a palavra que melhor a descreve?

Determinação.

Projetos para 2016?

Viver.

O que falta no sector da medicina dentária em Portugal?

A medicina dentária em Portugal tem um dos melhores níveis encontrados na Europa. Resta-nos dignifica-la cada vez mais, mas este aspeto é da responsabilidade de todos nós, médicos dentistas, que devemos lutar pela dignidade profissional. Para tal apenas temos de pensar em algumas frases do nosso código de ética, entre elas: “A reputação do médico dentista deverá assentar, essencialmente, na sua competência, integridade e dignidade profissional”.

Artigo publicado na edição de março/abril de 2016 da revista SAÚDE ORAL

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