Comemora-se hoje (7 de abril) o Dia Mundial da Saúde, este ano dedicado à diabetes, uma das doenças com maior impacto na saúde oral e que, segundo a Ordem dos Médicos Dentistas, eleva “exponencialmente o risco dos seus portadores contraírem cáries, gengivites, periodontites, disfunções das glândulas da saliva, doenças da mucosa e infeções orais e problemas na sensibilidade oro-facial.”
Em Portugal existe atualmente mais de um milhão de pessoas portadoras de diabetes e cerca de dois milhões são pré-diabéticos. De acordo com a OMD é preciso alertar esta faixa da população para a necessidade de realizarem check-ups regulares de saúde oral, uma vez que, por exemplo, “o tratamento periodontal pode ajudar ao controlo metabólico da diabetes, essencial para a qualidade de vida dos doentes.”
Ricardo Faria e Almeida, presidente da Comissão Científica da OMD, revela que “ainda não existe consciência pública sobre a interação entre a diabetes e a saúde oral e, no entanto, nos últimos anos, o número de portadores da diabetes em Portugal subiu dramaticamente. Mais de 13% dos portugueses em idade adulta tem diabetes, é um número demasiado elevado e isto sem contar com os casos não diagnosticados. A diabetes é já a quarta causa de morte em todo o mundo e se não forem tomadas medidas urgentes o problema terá proporções assustadoras”.
O presidente da Comissão Científica da OMD considera “essencial prevenir a diabetes e isso faz-se promovendo estilos de vida saudáveis e apostando nos cuidados de saúde primários, sendo neste ponto essencial garantir acesso a consultas de medicina dentária. A OMD tem vindo a reclamar o alargamento do cheque-dentista aos portadores de diabetes, porque os doentes com menos recursos são os que mais dificuldades têm em receber tratamentos, incluindo de saúde oral”.
Em 2014, e de acordo com dados do relatório “Factos e Números da Diabetes do Observatório Nacional de 2014”, a diabetes representou um custo direto estimado entre 1 300 e 1 550 milhões de euros, mais 50 milhões do que em 2013.
Para Ricardo Faria e Almeida, “estes números são elucidativos e é por isso que apostar na prevenção e no controlo da doença é tão crucial sob pena de estarmos a caminhar para uma verdadeira catástrofe. A medicina dentária tem um papel essencial para melhorar as condições de vida destes doentes, mas para isso é preciso que diabéticos, Estado e opinião pública percebam que quanto mais tarde agirmos maior será a fatura”.


