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Todos os cargos que tive foi porque os meus pares me escolheram

Todos os cargos que tive foi porque os meus pares me escolheram

Foi completamente apanhado de surpresa ao ser galardoado com o Prémio Especial Carreira na 3.ª edição dos Prémios Saúde Oral. Tanto assim que António Felino lamenta não ter escrito um discurso mais profundo. Na altura, disse o que lhe ia na alma. “Admito que fiquei emocionado”. Em conversa com a SAÚDE ORAL, o cirurgião oral falou de tudo. Dos hobbies, da família, da universidade, de Bolonha, dos valores, da profissão, das paixões… Quando lhe perguntamos se um dia o poderemos ver como Bastonário, responde perentoriamente: “Nunca me candidatei a nada. Todos os cargos que tive foi porque os meus pares me escolheram”.

Nasceu no Porto, vive no Porto, foi aluno da Faculdade de Medicina do Porto, é professor da Universidade do Porto, tem consultório no Porto e é do Futebol Clube do Porto. Coincidência ou foi mesmo propositado?

É verdade, tudo no Porto. Houve apenas um interregno de sete anos quando frequentei o Colégio Militar.

Até que ponto ser Menino da Luz lhe deixou marcas na sua personalidade?

Deixou tantas. A camaradagem, a honradez, a honestidade. Repare, éramos 700 alunos e não havia nem uma chave, nem um cadeado. E havia o armário dos achados. Tudo o que não nos pertencia ia para ali.

Fez todo o liceu lá?

Sim, já que o meu pai, na altura, era capitão-médico. Foram sete magníficos anos. O Colégio tinha a capacidade de transformar uma criança de dez anos numa pessoa responsável. Penso que, independentemente do berço e da educação dos pais e dos avós, o Colégio Militar ajudou-me no sentido da responsabilidade.

Depois entrou para Medicina, até porque na altura ainda nem havia Medicina Dentária.

Sim. Fiz três anos de Medicina e depois é que surgiu Medicina Dentária. Na altura, o curso de Medicina consistia em seis anos de licenciatura, seis anos de policlínica e mais cinco anos de especialidade. É claro que, no meu caso, a Medicina Dentário veio abreviar o percurso. E, ao final de seis anos, eu estava apto a exercer as funções.

Mas porque acabou por ir para Medicina Dentária? E porquê para cirurgia?

Sempre gostei da especialidade de cirurgia e sempre tive uma certa habilidade de mãos, daí ter optado por aqui. Ter escolhido Medicina Dentária foi um pouco pelo facto de ser bastante mais reduzido o percurso académico. E eu tinha a certeza que esta área deveria ter coisas fascinantes.

Como foi o seu percurso enquanto estudante?

Tive cadeiras em que fui o pior aluno do curso. E tive cadeiras em que fui o melhor. Devo dizer-lhe que de 10 a 20 tive todas as notas. Tive nota máxima a Biomatemática e 19 a cirurgia.

E a que teve um 10?

A Medicina Oral. E quer saber porquê? Porque o professor me tirou as cábulas!

Como assim, as cábulas?

Verdade! No final do teste, o professor meteu-me a mão na bata e tirou-me as cábulas. E o que estava nas cábulas descontou-me. Tive 10…

Então fez de tudo. Foi o melhor aluno, cabulou, tirou 10…

Quando acabei o curso pedi uma certidão de disciplinas. Achei curioso ter percorrido todas as notas durante o curso. Fui melhor aluno nos primeiros anos de curso, pior aluno no meio e depois voltei a ser dos melhores.

O que aconteceu no meio?

Eu era muito contestatário e crítico com os professores. E quando fui para Medicina Dentária éramos pouco alunos. Logo, muito próximos dos professores. Como era muito contestatário, penalizavam-me.

A vida académica fascinava-o, além dos livros?

Não. Não achava piada nenhuma. Sou uma pessoa com imensos hobbies. Sou filatelista e até pertenço à Academia Europeia de Filatelia, como eram o Príncipe Rainier, a Rainha de Inglaterra… Sou especialista na filatelia clássica portuguesa. Aliás, se quer que lhe diga, sei mais de selos do que de dentes!

Mas tem mais hobbies?

Sim, sou bibliófilo, sou numismata, sou colecionador…

 

Nota: Ler a entrevista na íntegra na edição de julho/agosto da revista Saúde Oral

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