As taxas moderadoras vão baixar cerca de 50 cêntimos nos centros de saúde e dois euros nas urgências dos hospitais públicos, o que permitirá que os portugueses gastem menos 35 a 40 milhões de euros este ano. A notícia foi avançada pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, numa entrevista ao jornal Público, em que aproveitou ainda para reiterar que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) fará uma aposta na prevenção de doenças, nomeadamente com a integração de profissionais de medicina dentária nos centros de saúde.
De acordo com o responsável, dentro de quatro anos, os cerca de um milhão de portugueses que não têm médico de família poderão vir a ter. “Temos um milhão e quarenta mil utentes sem médico de família. Há várias formas diferentes para tentar ultrapassar [este problema] e uma está relacionada com a colocação rápida de médicos de família depois do exame final. Neste momento, os médicos que terminam a especialidade têm de se candidatar a um ou mais concursos. Isso significa um enorme atraso no processo. Por exemplo, os que fizeram exame no ano passado em outubro ainda não estão colocados nos centros de saúde. Queremos fazer um concurso único a nível nacional, em que conte apenas a nota final do exame. Os médicos que realizem o exame com aproveitamento serão colocados logo no mês a seguir”, explicou ao jornal.
Mas segundo Fernando Araújo “é preciso irmos além dos médicos e dos enfermeiros”, com novas valências. “Já há nutricionistas, psicólogos, higienistas orais, fisioterapeutas, nos centros de saúde, mas não em quantidade suficiente. Vamos tentar aumentar o número de profissionais. A ideia é abrir a outras áreas diferentes como a saúde oral, com o médico dentista. O cheque-dentista foi excelente, mas não é suficiente. A ideia é começar por um projeto-piloto. A estratégia passa por selecionarmos um conjunto de centros de saúde no Alentejo e Lisboa e fazermos com a OMD a seleção dos médicos e locais, os serviços a prestar e os utentes abrangidos.”
O objetivo será abranger os utentes em situação de maior vulnerabilidade, com problemas económicos e com patologias crónicas, e apostar em “locais com higienistas orais porque, mais do que fazer tratamentos, pretendemos apostar na prevenção. A ideia é mais do que tratar as cáries. Esperamos que neste primeiro semestre possa arrancar”, revela.


